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Um brasileiro na África: jornalista campista conta suas experiências no continente

Palestra com o jornalista Carlos Alberto Jr. aconteceu na noite desta quarta-feira, 10 de março, no campus Campos-Centro, para professores e alunos de Geografia.

 

            Um brasileiro campista conhece outro brasileiro, também campista, na África, mais precisamente em Angola. Essa feliz coincidência resultou na palestra da noite desta quarta-feira, no Instituto Federal Fluminense, campus Campos-Centro, com o tema “Os aspectos da África Contemporânea”.

            O jornalista Carlos Alberto Jr. foi convidado pelo ex-coordenador do Projeto Angola-Brasil, do IF Fluminense, atual Diretor do Departamento de Licenciatura, Synthio Almeida, para falar dos aspectos culturais, políticos e econômicos do país africano, principalmente para os alunos da Licenciatura em Geografia.

            O encontro, de cerca de uma hora, resultou em uma radiografia do continente sob o olhar desse brasileiro que há dois anos é correspondente da TV Brasil na África. Carlos contou histórias, experiências e a desafiante oportunidade de trabalhar como correspondente africano desde 2008.

            “Foi uma mudança radical em todos os sentidos. Nunca havia trabalhado como repórter de televisão e tudo na África é muito difícil, não falamos a mesma língua, são outros códigos e a idéia era mostrar, além das tragédias, o povo capaz que existe lá, mas que não avançou mais porque lhes foi roubado a chance de um futuro melhor de gerações inteiras”, declarou.

            O jornalista falou das questões sobre liberdade, cultura, a falta de estrutura, a reconstrução de muitos países abalados por décadas de guerra, as diferenças entre as nações e a fragilidade das instituições democráticas. Ele contou que uma das reportagens mais chocantes foi feita no Congo, quando entrevistou meninas que sofrem diariamente violência sexual.

            Carlos também mostrou trechos das reportagens realizadas e os contrastes como o analfabetismo e a pobreza da Guine Bissau, o 5º país mais pobre do planeta, e o avanço de Cabo Verde onde existem 14 pontos de internet gratuita em praças públicas.

            “Isso mostra a diversidade deste continente, onde alguns têm tudo e outros nem energia elétrica têm”, disse.

            Carlos foi recebido pela Reitora Cibele Daher que destacou ser uma honra receber um ex-aluno da casa que tem relação com a Angola, justamente o país com quem o IF Fluminense iniciou sua cooperação internacional,  por meio do Projeto Angola-Brasil.

            O jornalista foi aluno do curso de Eletrotécnica de 1985 a 1987. Formou-se em jornalismo pela Faculdade de Filosofia de Campos, trabalhou no Jornal A Cidade, na Rádio Cultura e em 1991 foi fazer um curso no Estado de São Paulo e nunca mais voltou para a terra natal.

            Passou por agências, jornais e revistas como Gazeta Mercantil, Rede Bandeirantes, Agência O Globo e Revista Época. Em Brasília conheceu a esposa, a diplomata Fabiana Moreira, que atualmente trabalha na Embaixada Brasileira, em Angola.

            O casal está de malas prontas para Washington, Estados Unidos, já que Fabiana foi transferida para a Embaixada, neste país. Carlos deve ser transferido como correspondente da TV Brasil para o país americano. Mas quem quiser conhecer um pouco da África ainda tem tempo: todas as reportagens feitas por Carlos estão postadas no seu blog www.diariodaafrica.com.br.

            “Ouço muitas pessoas falando que o Brasil não tem que ter relações com a África, mas discordo. Os europeus nunca saíram de lá. Temos que ir para lá sim, mas para contribuir, porque eles precisam, por isso, acho louváveis projetos como esse do IF Fluminense, mesmo tedo certeza que deve ser um grande desafio”, disse.

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